Alexandre Costa: ”O ativismo desportivo é umha peça da construçom nacional”

Reproduzimos a entrevista que o Diario Liberdade realizou ao nosso companheiro Alexandre Costa poucos dias depois do jogo entre as selecçons nacionais da Galiza e do Saara Occidental. Alexandre Costa avalia as jornadas do passado 23 de Dezembro em Teu, fazendo também balanço dos 15 anos de ativismo do nosso colectivo.

Diário Liberdade – A semana passada tivo lugar o jogo da seleçom de futebol organizado por Siareir@s Galeg@s. Como avaliades as jornadas?

Alexandre Costa – Como coletivo, avaliamos muito positivamente as nossas jornadas, já que, por umha parte, fomos capazes de reunir mesmo número de pessoas que anos anteriores, apesar de contarmos, a priori, com condiçons mais desfavoráveis, como o facto de realizarmos as jornadas em dia laborável e num Concelho mais pequeno. Por outra parte, consideramos também muito positivamente o facto de contarmos novamente com a presença de desportistas galegos de nível internacional, como David Blanco, Rabunhal, Ezequiel Mosquera ou a própria Verónica Boquete.

DL- Siareir@s fai este ano 15 ano de ativismo polas seleçons desportivas. Impom-se perguntar-che qual é o vosso balanço.

AC- Nós, quando fazemos um repasso da nossa trajetória, diferenciamos claramente três etapas. Umha primeira em que se constituiu o movimento, na qual se sentárom as bases e se afixárom os objetivos polos quais luitar, como por exemplo a erradicaçom do localismo, a luita contra o neo-desporto capitalista que poderiamos denominar negócio-espetáculo, ou a exigência de que as seleçons nacionais galegas podam competir a nível internacional de forma oficial.

Depois houvo umha segunda etapa, que coincide com o bipartido na Junta da Galiza, em que, se bem é certo que se criárom seleçons galegas em algumhas disciplinas, consideramos que por parte dos responsáveis da Junta os passos fôrom insuficientes, produzindo-se um estancamento ao nom apostarem em requerer e exigir o direito a poder competirmos oficialmente.

E umha terceira etapa que é na que nos encontramos em estes momentos, umha etapa na que eles negam-nos o direito a termos as nossas seleçons, nom fam mais do que pôr paus e pedras no nosso caminho, mas na qual nós estamos sendo capazes de reagir e superar estes obstáculos, continuando com as nossas atividades e pondo em cima da mesa o debate e a proposta de oficialidade.

DL- Que êxito concreto destacarias etre os que a vossa atividade fijo possíveis?

AC- Para nós, já é um êxito conseguirmos que umha seleçom galega salte a um campo de jogo, ainda que evidentemente nós trabalhemos para que seja numha competiçom e a nível oficial. Por outro lado, consideramos a nível interno-organizativo um êxito que, nesta etapa e com as dificuldades tam altas impostas polos órgaos políticos e desportivos, sejamos capazes de levar adiante as nossas jornadas de umha forma autogerida e auto-organizada.

DL- Que dirias a quem poda julgar que nas condiçons atuais da Galiza existem outras prioridades antes que preocupar-se com o reconhecimento desportivo?

AC- Nós como coletivo consideramos que o trabalho e o ativismo desportivo é umha peça mais do puzzle da construçom nacional e do reconhecimento da Galiza como naçom em todos os seus ámbitos e aspectos. Consideramos que o povo galego deve trabalhar em todas as frentes: na cultural, na política, na sindical… mas também na desportiva, já que é necessária e imprescindível para o avanço deste povo. Também é muito útil e importante criarmos referentes desportivos galegos nos quais se poda ver refletida a populaçom. Somos da opiniom de que nom deve ser minusvalorizado o trabalho neste campo, pois todo o trabalho soma para o que mencionava anteriormente: a construçom nacional da Galiza.

DL- Vai ser possível manter e estender as reivindicaçons de seleçons próprias na etapa de domínio absoluto do PP que agora começa?

AC- A nós causa-nos indiferença qual seja partido do regime que governe em cada momento; sabemos quais som os nossos objetivos e qual a nossa meta e por isso temos que trabalhar. Sabemos que nos aguarda um longo caminho, sabemos que encontraremos muitos obstáculos nesta viagem, mas estamos seguros e seguras de que com trabalho e esforço atingiremos os nossos objetivos e a nossa desejada meta.

DL- Mais nada, Alexandre, obrigadas por nos atenderes.

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